Opinião da leitora: O vento sabe meu nome
Opinião da leitora : O vento sabe o meu nome, de Isabel Allende
Bio da convidada:
Licenciada em Pedagogia pela UFBA, Mestrado e Doutorado em Educação e Contemporaneidade pela UNEB, atualmente é professora do Departamento de Educação – Campus II da UNEB e pesquisadora do Centro de Estudos e Pesquisa em Humanidades da UFBA.
Lucia Alvares Pedreira
Livro: O vento sabe meu nome
Autora: Isabel Allende
Editora: Berthand Brasil , 2023
RESENHA
Ao completar 81 anos a escritora chilena Isabel Allende nos brinda com mais uma obra vibrante, O Vento sabe meu nome, que trata de um tema bastante atual, a questão da imigração. Nessa obra a autora aborda a situação mais recente vivenciada nos Estados Unidos com o programa de tolerância zero para imigração ilegal, onde famílias foram separadas como parte da política anti-imigração de Donald Trump, denunciando uma grave crise humanitária com milhares de crianças sendo separadas de seus pais e vivendo nos centros de detenção em situações bastante precárias. A autora nos apresenta esse comovente romance que entrelaça as histórias de duas crianças vítimas das consequências da guerra e da migração forçada, em tempos distintos. Ao longo da sua narrativa o leitor é apresentado as histórias de alguns personagens envolvidos nessa trama: Samuel, Anita, Selena, Letícia.
A história começa em Viena no ano de 1938 quando o governo austríaco se rende ao nazismo e Hitler passa a ter controle total sobre a Áustria. Inicialmente apresenta a história de vida da família Adler, através de seu filho Samuel, um menino judeu de apenas cinco anos que em 1938 vê seu pai desaparecer durante a Noite dos Cristais e sua família destruída pela fúria nazista. Sua mãe buscando salvá-lo o embarca em um trem que levaria crianças da Áustria nazista para a Inglaterra tendo como companheiro de viagem seu violino. Criado por um casal que o acolhe na Inglaterra, anos mais tarde se torna um importante violonista da Orquestra Sinfônica da Inglaterra, mas aos vinte cinco anos, ao passar férias nos Estados Unidos, fica fascinado pela liberdade e pela energia do jazz, ficando em êxtase com a música de Miles Davis, Louis Armstrong, Ella Fitzgwerald, Billie Holiday, Ray Charles e tantos outros e decide mudar para os Estados Unidos.
Oito décadas depois, em 2020, em plena pandemia, a vida de Samuel Adler, já com mais 80 anos, se entrelaça a vida da criança salvadorenha Anita Diaz, uma criança de sete anos, que em 2019 partiu com sua mãe para fugir da pobreza e da violência vivenciada em El Salvador para exilar-se nos Estados Unidos, mas ao chegar na fronteira enfrenta a dura política do governo Trump que a separa de sua mãe e é encaminhada para abrigos/ centros de detenção para crianças imigrantes. A vida deles é entrelaçada pela jovem assistente social Selena Dúran, uma combativa militante que faz parte de uma organização social o Projeto Magnólias para Refugiados e Imigrantes que vai atrás de um renomado escritório de advocacia em busca de um advogado que possa defender Anita Diaz. O advogado Frank Angileri encanta-se com Selena e decide ajudá-la a encontrar Marisol, a mãe de Anita para reuni-las novamente. Ambos partem para El Salvador em busca de notícias do que aconteceu com Marisol, numa luta incansável para unir Anita a sua mãe. Com a descoberta do destino trágico da mãe de Anita, que foi barbaramente assassinada, impossibilitando a união delas, Selena e Frank vão atrás de Leticia, uma prima do pai de Anita que mora nos Estados Unidos e trabalha há mais de 20 anos na casa de Mister Bogart, como Samuel Adler é conhecido hoje, buscando um novo lar para Anita.
Em um trecho da obra a autora escreve que a história de Anita provocou um tsunami de lembranças dolorosas em Samuel e ele sentiu o coração se abrir novamente, assim, suas histórias se entrecruzam, duas crianças unidas pelo desenraizamento. Outro aspecto importante dessa obra de Isabel Allende é retratar a capacidade que o ser humano tem de sobreviver à violência sem deixar de sonhar, e a importância da arte, o violino salvou Samuel Adler das atrocidades do nazismo e a fantasia da criança Anita que se refugia em Azabahar, um mundo imaginário criado por ela para amenizar o seu sofrimento fruto das lembranças de uma família que ficou para trás. Convido a todos a mergulhar nessa história emocionante que retrata essa crise humanitária das imigrações, fruto das guerras, da violência política, e da pobreza que empurra milhares de pessoas para viverem longe da sua terra natal, em busca da sobrevivência. Isabel Allende mesmo diante de tanta tragédia nos deixa uma mensagem de esperança ao nos conectar com personagens fortes de mulheres como Selena que enfrenta todas as adversidades e luta contra todo tipo de opressão, reafirmando o sentimento de solidariedade.

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