Resenha: Querem nos calar

 De início,eu já protesto



Título: Querem nos calar


Autoras: Anna Suav, Bel Puã, Bor Blue, Cristal Rocha, Dall Farra, Danielle Almeida, Laura Conceição, Letícia Brito, Luiza Romão, Luz Ribeiro, Mariana Felix, Meimei Bastos, Negafya, Roberta Estrela D’Alva e Ryane Leão.


Gênero: Poesia


Data de publicação: 2019


Avaliação: 4 estrelas


Foto: Instituto Aurora (reprodução)


É , já estamos quase no meio do ano, mas a leitura não pode ficar para trás.Nada como lembrar de um livro que foi degustado no início do ano,não é !O livro é interessante justamente por trazer a poesia de forma simples,mas marcante.Os poemas são de rasgar o coração.A leitura é de fácil entendimento,como já disse, flui como um rio.

Para ser sincera, infelizmente não tive a honra de ter o exemplar físico em mãos , mas tive a felicidade de encontrar o volume na sua forma digital no app BibliON, de forma gratuita.Acredito que dessa forma, todos podem acessar esta obra-prima.

O livro “Querem nos calar” é uma coletânea de poemas feita exclusivamente por mulheres, de diversas etnias e regiões do país.É representativo, com um elenco multifacetado,respeitando a pluralidade do Brasil,com destaque para Ryane Leão que esteve na FLICA,recentemente e é autora de títulos bem populares como “Tudo nela brilha e queima”.

O livro basicamente é dividido em várias seções, com poemas das autoras.Os poemas são mais longos,pois estão estabelecendo uma ponte  entre música e literatura. Geralmente, são obras que foram produzidas em batalhas de rap.

O gênero que aparece com força é o SLAM,que faz a conexão entre poesia e rap.Cada uma das quinze autoras tem seu próprio capítulo,que já inicia-se com uma line-art de uma fotografia das poetisas.Uma coisa que me surpreendeu bastante foi reconhecer outras autoras, como a própria Ryane como slammer.O livro não deixa minhocas na cabeça e inclui também uma breve biografia de cada uma das integrantes.

A escrita é legal, porém às vezes o livro parece desconexo, pois não é agrupado por temas e a leitura é prejudicada, principalmente, em telas, pelo formato, em que não dá pra acompanhar o “ritmo” da batida e o leitor se perde.Lembro que tive que fazer o empréstimo duas vezes e estava quase desistindo.Quanto a aproximação com o leitor,ela é muito evidente, seja pelas situações cotidianas narradas ou pelo modo de falar mais próximo do usado no dia-a-dia, uma linguagem menos formal.

O livro debate questões diversas como raça,gênero e sexualidade,classe social,entre outros.Querem nos calar é um manifesto contra a espiral do silêncio e um incentivo a luta,a resistência e sendo também uma inspiração, para todos que curtem Literatura e amam escrever como eu. (hehehe)

Os temas tratados são: a violência contra a mulher,física, emocional ou mental, as minorias em geral, os preconceitos enraizados, o mal do capitalismo e suas consequências. As lições passadas são de grande ajuda,principalmente para quem deseja ter uma visão mais aberta e se libertar de padrões.É útil ao exercício da consciência crítica e empoderamento.


Os pontos fortes são :

  • A capa bem chamativa, com desenho de mulher negra,com cabelo crespo;
  • Ser um livro de poesias (hehe);

  • Trabalhar a arte, música e literatura;

  • Ter mulheres de várias idades,etnias e regiões do Brasil;

  • Não ser um livro curto demais;

  • Estar disponível também na internet, no meio digital;

  • Originalidade, para representar o slam,a poesia negra e feminina;


Pontos fracos:

  • A falta de organização na disposição dos poemas;
  • Algumas autoras parecem ter mais poemas do que outras;
  • Na versão digital, é bem difícil de ler porque tudo fica recortado, um poema leva 4,5 páginas;
  • Ter a versão física bem cara;


Na minha opinião , de 0 a 10, o livro ficaria com 9.No começo eu achei um pouco entediante, porém me surpreendi.O leitor fica louco atrás das escritoras favoritas, só que os capítulos são longos. Exatamente por isso, fiquei presa.Quando terminei, nem pude acreditar que cheguei no final do livro.Foi uma experiência marcante e até comentei sobre ele nas aulas de Comunicação, Cultura e Arte.Recomendo a todos, principalmente a mulheres.Acredito que a obra pode atrair poetas, negros, mulheres e rappers.




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